Imenso Portugal
País que definha, mas que ainda se adivinha em todo o mundo.
30 Julho 2010
28 Julho 2010
Contradição
Aliás, como é que o interesse estratégico nacional se pode salvaguardar com a utilização de uma coisa chamada "golden share"???? Ainda se desse pelo nome de "fatia dourada" ou "rabanada"...
Vivo, logo penso.
7,15 mil milhões de euros. Ai Jesus, o interesse estratégico nacional, coiso e tal.
7,50 mil milhões de euros. Oiiiii, tudo legal.
7,50 mil milhões de euros. Oiiiii, tudo legal.
27 Julho 2010
Minha pátria é a língua portuguesa
Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..." E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes - tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é - não - a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d'aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.
Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.
23 Julho 2010
Outro Verão
Por vezes, acontece dar por mim a ler textos de jornais ou revistas antigos. Ontem, no dia em que saiu mais uma Visão, li a crónica do António Lobo Antunes da edição anterior, um texto em que fala da amizade, da falta que lhe fazem o José Cardoso Pires e o Manuel da Fonseca.
Esse texto fez-me lembrar que também eu tenho uma "crónica" com o Manuel da Fonseca para escrever. Aqui vai ela.
Antigamente, o Verão era diferente. Malas aviadas no "carocha", os quatro irmãos apertadinhos, mas alegres, cá atrás, os pais lá à frente, e ala para o Algarve, numa viagem que durava um dia inteiro e era, para nós, uma aventura. Não havia cá esta coisa das auto-estradas. As curvas do caminho eram muito mais bonitas.
E também não havia este Allgarve todo estragado, que atrai milhares de pessoas que gostam mais de fish & chips do que de ameijoas, cadelinhas ou lingueirão. Como se fosse normal.
O meu Algarve foi, durante anos seguidos, a Manta Rota que também já desapareceu. Na Manta Rota para onde ia, os camaleões passeavam na rua principal e deixavam-se apanhar pela criançada, que se divertia com brincadeiras sádicas. Nas nossas mãos, os pobres bichos fumavam e embebedavam-se. Desculpem, camaleões da Manta Rota.
O meu pai não gostava, continua a não gostar, de areia. Não ia para a praia. Ficava o dia inteiro numa esplanada que já não existe. A ler, a fumar e a tomar cafés. E a conversar conversas que não acabavam com o Manuel da Fonseca.
Eu gostava, ainda gosto, de areia. Mas enquanto a minha mãe e as minhas irmãs ficavam na praia, eu preferia ficar à mesa da esplanada com o meu pai e o Manuel da Fonseca, só para os ouvir falar. Ficava assim, caladinho, a ouvi-los sobre assuntos que não entendia. Mas as palavras, as frases, eram bonitas e embalavam mais que as ondas onde as minhas irmãs e a minha mãe mergulhavam.
Às vezes, também ia mergulhar. Mas voltava logo para a mesa da esplanada, com a água e o sal ainda na pele, só para não perder muitas das palavras deles.
Depois, à noite, o Manuel da Fonseca ia muitas vezes jantar a nossa casa. Naquelas noites quentes, naquele Algarve, ficávamos no pátio a ouvir as histórias maravilhosas e intermináveis que ele nos contava, enquanto olhávamos as estrelas que, hoje, já não brilham da mesma maneira.
É também da Manta Rota outra história que recordo com nostalgia. Não era sequer um adolescente, era ainda uma criança. Certa noite, debaixo de um bote que estava virado ao contrário no areal, beijei pela primeira vez uma mulher. Bom, não era exactamente uma mulher. Era uma criança, como eu. Uma algarvia, "manta-rotense", da qual recordo a pele morena, o cabelo negro e os olhos, de um preto brilhante e profundo, como o céu e as estrelas que contemplava enquanto ouvia as histórias do Manuel.
É este o meu Algarve, o meu Verão. E é esta a minha crónica com o Manuel da Fonseca. Com estas recordações de uma infância feliz, a vida é sempre mais bonita.
Esse texto fez-me lembrar que também eu tenho uma "crónica" com o Manuel da Fonseca para escrever. Aqui vai ela.
Antigamente, o Verão era diferente. Malas aviadas no "carocha", os quatro irmãos apertadinhos, mas alegres, cá atrás, os pais lá à frente, e ala para o Algarve, numa viagem que durava um dia inteiro e era, para nós, uma aventura. Não havia cá esta coisa das auto-estradas. As curvas do caminho eram muito mais bonitas.
E também não havia este Allgarve todo estragado, que atrai milhares de pessoas que gostam mais de fish & chips do que de ameijoas, cadelinhas ou lingueirão. Como se fosse normal.
O meu Algarve foi, durante anos seguidos, a Manta Rota que também já desapareceu. Na Manta Rota para onde ia, os camaleões passeavam na rua principal e deixavam-se apanhar pela criançada, que se divertia com brincadeiras sádicas. Nas nossas mãos, os pobres bichos fumavam e embebedavam-se. Desculpem, camaleões da Manta Rota.
O meu pai não gostava, continua a não gostar, de areia. Não ia para a praia. Ficava o dia inteiro numa esplanada que já não existe. A ler, a fumar e a tomar cafés. E a conversar conversas que não acabavam com o Manuel da Fonseca.
Eu gostava, ainda gosto, de areia. Mas enquanto a minha mãe e as minhas irmãs ficavam na praia, eu preferia ficar à mesa da esplanada com o meu pai e o Manuel da Fonseca, só para os ouvir falar. Ficava assim, caladinho, a ouvi-los sobre assuntos que não entendia. Mas as palavras, as frases, eram bonitas e embalavam mais que as ondas onde as minhas irmãs e a minha mãe mergulhavam.
Às vezes, também ia mergulhar. Mas voltava logo para a mesa da esplanada, com a água e o sal ainda na pele, só para não perder muitas das palavras deles.
Depois, à noite, o Manuel da Fonseca ia muitas vezes jantar a nossa casa. Naquelas noites quentes, naquele Algarve, ficávamos no pátio a ouvir as histórias maravilhosas e intermináveis que ele nos contava, enquanto olhávamos as estrelas que, hoje, já não brilham da mesma maneira.
É também da Manta Rota outra história que recordo com nostalgia. Não era sequer um adolescente, era ainda uma criança. Certa noite, debaixo de um bote que estava virado ao contrário no areal, beijei pela primeira vez uma mulher. Bom, não era exactamente uma mulher. Era uma criança, como eu. Uma algarvia, "manta-rotense", da qual recordo a pele morena, o cabelo negro e os olhos, de um preto brilhante e profundo, como o céu e as estrelas que contemplava enquanto ouvia as histórias do Manuel.
É este o meu Algarve, o meu Verão. E é esta a minha crónica com o Manuel da Fonseca. Com estas recordações de uma infância feliz, a vida é sempre mais bonita.
21 Julho 2010
Uma constituição minimalista
As propostas já conhecidas do PSD para a revisão da Constituição da República Portuguesa são tímidas, curtas e ligeiras.
Acredito que uma Lei Fundamental deve ter o mínimo conteúdo programático possível. A nossa actual constituição está cheia dele.
Está cheia de "Programa", de ideologia, de matérias que não deviam dela constar, nomeadamente no capítulo económico, mas não só.
Por uma Constituição minimalista, por uma revisão profunda, e não superficial, como a proposta pelo PSD, eu assino por baixo.
Acredito que uma Lei Fundamental deve ter o mínimo conteúdo programático possível. A nossa actual constituição está cheia dele.
Está cheia de "Programa", de ideologia, de matérias que não deviam dela constar, nomeadamente no capítulo económico, mas não só.
Por uma Constituição minimalista, por uma revisão profunda, e não superficial, como a proposta pelo PSD, eu assino por baixo.
19 Julho 2010
Leão Lyon
Neste blogue, também vou falar de futebol. Do Sporting, sobretudo. Primeira posta da semana, para assinalar a vitória categórica do meu clube sobre o hepta-campeão francês (só na última época interrompeu a impressionante série de títulos). Foi também o Lyon, recordo, que afastou o Real Madrid da Champions o ano passado. Só para que ninguém se esqueça.
Do que vi, parece-me certo dizer que as maçãs podres não fazem falta ao Sporting.
Do que vi, parece-me certo dizer que as maçãs podres não fazem falta ao Sporting.
15 Julho 2010
Blogues imensos
A pouco e pouco, na barra do vosso lado direito, irei acrescentando blogues à lista dos blogues que leio.
Ando desactualizado sobre novos blogues, este caminho vai fazer-se caminhando.
Ando desactualizado sobre novos blogues, este caminho vai fazer-se caminhando.
José Saramargo
O título desta posta não é gralha. Ocorreu-me ontem, esta do Saramargo, enquanto me lembrava do recentemente falecido nobel da literatura. Estava a conduzir no meio do trânsito e, como todos sabem, esses momentos são ideais para nos ocorrerem coisas. Saramargo. Não sei se já tinha ocorrido a alguém antes. Para mim, é original. E é bom.
14 Julho 2010
A primeira vez
Há sempre uma. Esta é a primeira posta do Imenso Portugal. Desde logo, serve para falar do nome do blogue. Depois de dezenas de tentativas para registar nomes geniais que, de tão geniais e criativos, já estavam registados, comecei a trautear o Fado Tropical de Chico de Buarque e Ruy Guerra.
"Ai essa terra ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se um imenso Portugal"...
Tentei e, para surpresa minha, "Imenso Portugal" ainda não era nome de blogue. Agora já é. Deste.
Imenso Portugal, este país que definha, mas que ainda se adivinha em todo o mundo.
E é do mundo, de tudo o que aqui se passa, sempre em português, que irei falar neste blogue.
Navegar é preciso.
"Ai essa terra ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se um imenso Portugal"...
Tentei e, para surpresa minha, "Imenso Portugal" ainda não era nome de blogue. Agora já é. Deste.
Imenso Portugal, este país que definha, mas que ainda se adivinha em todo o mundo.
E é do mundo, de tudo o que aqui se passa, sempre em português, que irei falar neste blogue.
Navegar é preciso.
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